passageiro e a solidez
Recorte do cartaz de Totalmente apaixonados (2007)No começo, quase tudo são flores, a paixão é que comanda. Depois o sentimento muda e as coisas parecem mudar mais ainda. O dito popular de que amor não é paixão é confirmado pela psicóloga Sueli Castillo, que há anos trabalha com a questão dos relacionamentos. Para a psicóloga, a paixão pessa principalmente pela idealização do companheiro. Em entrevista ao blog Sueli define com precisão os dias de hoje: "não se busca a pessoa ideal e sim um ideal de pessoa".
Grande parte das pessoas se queixa que estão sozinhas e não conseguem encontrar alguém sério. Se há tantas pessoas sérias procurando alguém sério elas não deveriam se encontrar?
S: Acredito que existam pessoas sérias buscando encontrar pessoas sérias, mas essa seriedade me parece atualmente um tanto relativa. O momento atual trás consigo a instabilidade de valores. Para alguns ser sério é ser fiel, para outros é ser companheiro, para outros é preservar a relação como um porto seguro. Vejo muito mais desencontros do que encontros. Essa busca desenfreada por um companheiro por vezes prioriza o preenchimento da solidão, como cito "ter alguém para chamar de meu" e não ter alguém para amar.
E por que tantos indivíduos acreditam que só poderão ser felizes se tiverem um companheiro?
S: Faz parte da natureza humana procriar e esse ato requer "naturalmente" um parceiro. Para que tenhamos vida é necessário, portanto a união física de um homem e uma mulher. Nesse momento de inicio de vida dentro do útero estamos unidos, amparados e aconchegados a uma mulher. Ao nascermos estamos sozinhos e desamparados. Como bem cita o Dr. Flavio Gigovate, essa sensação de desamparo nos acompanha durante nossa existência. Buscamos encontrar em um parceiro esse preenchimento do vazio que sentimos, a sensação de amparo, e com isso o sentimento de solidão nos aterroriza. Assim, a felicidade é depositada apenas na vida acompanhada, sendo o outro o único responsável pela felicidade em questão. O ser humano é só por natureza, nunca consegue se misturar no outro, por mais que acredite estar acompanhado. Mas, em contrapartida também é um ser relacional, precisa do outro para sua própria referencia de existir como tal. Tanto no social quanto no pessoal pessoa necessita de pessoas. O que não significa a obrigatoriedade de ter um companheiro.
"Paixão é sinônimo de dor"
No geral, quando alguém começa a se envolver romanticamente com outra pessoa, o parceiro é visto como alguém perfeito e a relação também. Pouco depois é comum ouvir "ele não era aquilo tudo". O que causa essa euforia sentimental no início dos namoros?
S: Voltando à sensação de desamparo, o ideal de companheiro é criado em sonhos e fantasias. Não se busca a pessoa ideal e sim um ideal de pessoa. Com isso quando alguém começa a ser envolver com outra pessoa, o desejo idealizado começa a se manifestar, e com isso a outra pessoa não é percebida como é, e sim, como esta no imaginário de quem a idealiza. A pessoa amada não é real nesse momento e sim fruto do ideal de quem ama. Com o passar da euforia sentimental inicial, a pessoa começa a perceber que o companheiro não condiz com aquilo que imaginava e por vezes acaba apenas culpando o outro pela frustração que sente nesse momento. Ideal é ideal, e jamais será alcançado, uma vez que faz parte apenas do mundo perfeito, do imaginário de quem o idealiza.
S: Voltando à sensação de desamparo, o ideal de companheiro é criado em sonhos e fantasias. Não se busca a pessoa ideal e sim um ideal de pessoa. Com isso quando alguém começa a ser envolver com outra pessoa, o desejo idealizado começa a se manifestar, e com isso a outra pessoa não é percebida como é, e sim, como esta no imaginário de quem a idealiza. A pessoa amada não é real nesse momento e sim fruto do ideal de quem ama. Com o passar da euforia sentimental inicial, a pessoa começa a perceber que o companheiro não condiz com aquilo que imaginava e por vezes acaba apenas culpando o outro pela frustração que sente nesse momento. Ideal é ideal, e jamais será alcançado, uma vez que faz parte apenas do mundo perfeito, do imaginário de quem o idealiza.
Mas, também não se pode deixar de mencionar o fato de que quando se conhece alguém por vezes se quer mostrar o "melhor", quem nem sempre é compatível com a personalidade da pessoa. Exemplificando: a mulher que detesta futebol, mas no momento da paixão assiste aos jogos e até acaba torcendo pelo time do companheiro, mas tempos depois briga e não aceita mais; o homem que não suporta teatro, mas acompanha a mulher e após a fase do encantamento não suporta nem mesmo a sugestão de ir ao teatro. O melhor seria ser a pessoa mesmo, com defeitos e qualidades sem interpretações, uma vez que na vida real ninguém consegue representar por muito tempo.
Há cientistas que dizem que o amor só dura dois anos, outros um pouco mais. A senhora concorda com essas avaliações que dizem que a paixão tem tempo para começar e terminar?
S: Paixão é sinônimo de dor. A palavra é utilizada para descrever um momento doloroso da historia cristã: a paixão de Cristo. É uma situação onde a pessoa vive grande oscilação entre o riso e a lagrima. Em função do aumento de substâncias neurotransmissores como a endorfina e a serotonina que participam do controle do humor, comportamentos emocionais e ciclo do sono–vigília, a pessoa apaixonada vive uma fase de alegria e encantamento, mas frente à mínima contrariedade real ou imaginaria passa à tristeza e desilusão. Paixão cega, paixão emudece, paixão é ciúme, paixão é êxtase e paixão é dor. Muito antagonismo simultâneo. Concordo que a paixão tenha sim tempo para começar bem como tempo para terminar. Viver eternamente apaixonado dessa forma passional seria uma tortura para qualquer pessoa. Pesquisas demonstram que uma pessoa em media vive apaixonada dessa forma por dois ou três anos.
Alguns cientistas tentam até desenvolver uma pílula para prolongar o tempo da paixão. Quais benefícios o fim da paixão traz ao relacionamento e quais os conflitos?
S: O fim da paixão pode ser um amor apaixonado, fato esse difícil de ser vivenciado. Vejo mais os conflitos uma vez que não existe um sincronismo entre os casais para o término da paixão. Sempre ela esfria primeiro em um dos parceiros e com isso muita dor acontece. Como admitir que a pessoa pela qual se esta apaixonado não sente mais com a mesma intensidade ou não sente mais a paixão inicial. Lágrimas, pedidos, súplicas, insistência, é o que se observa quando este fato acontece.
O amor seria mais duradouro ou mais verdadeiro se comparado à paixão?
S: Mais duradouro sim, mas não mais verdadeiro. No momento da paixão pode existir idealização do outro, mas o sentimento é intenso e verdadeiro mesmo que seja por uma idealização de pessoa. A pessoa pode não existir daquela maneira, mas o sentimento pela pessoa idealizada é real.
"A racionalidade traz uma união tranquila, amorosa, mas também as dificuldades"
Há a chance de o indivíduo se apaixonar não pelo parceiro, mas pela relação, pelos prazeres e alegrias que a relação com outro alguém proporciona sem interessar quem é esse outro alguém?
S: Não vejo dessa maneira. Você pode ser apaixonado por um esporte, por uma profissão, mas é parte do todo. A paixão por uma pessoa não é parte do todo e sim é o "todo " a todo instante.
S: Não vejo dessa maneira. Você pode ser apaixonado por um esporte, por uma profissão, mas é parte do todo. A paixão por uma pessoa não é parte do todo e sim é o "todo " a todo instante.
E como trazer um pouco de racionalidade para o relacionamento e saber separar paixão de amor, e verdade de efeitos da paixão?
S: Muito difícil racionalizar sentimentos, principalmente um sentimento tão intenso e perturbador como a paixão. Acredito que a racionalidade traga outro tipo de relação que pode ser uma união tranqüila, serena, amorosa, com planos, metas, sonhos, mas também as dificuldades, como contas a pagar, serviços a serem divididos, cansaço, dentre outros. A razão não oscila entre os extremos, portanto nunca se está transitando entre as polaridades. Ninguém melhor que o grande poeta Pablo Neruda para expressar o antagonismo da paixão, mas principalmente a intensidade da paixão:
S: Muito difícil racionalizar sentimentos, principalmente um sentimento tão intenso e perturbador como a paixão. Acredito que a racionalidade traga outro tipo de relação que pode ser uma união tranqüila, serena, amorosa, com planos, metas, sonhos, mas também as dificuldades, como contas a pagar, serviços a serem divididos, cansaço, dentre outros. A razão não oscila entre os extremos, portanto nunca se está transitando entre as polaridades. Ninguém melhor que o grande poeta Pablo Neruda para expressar o antagonismo da paixão, mas principalmente a intensidade da paixão:
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