• " O AMOR É UMA FORÇA POSITIVA." QUE O MAL NÃO PEDE SUPERA.

domingo, 2 de outubro de 2011

DROGA E SEXO > TRAGEDIA ANUNCIADA

Saiba como a química pode ajudar homens e mulheres a atingir o prazer. Sem esquecer o lado negro desta história

O ser humano sempre procurou maneiras de incrementar suas relações sexuais com o uso de ervas, alimentos e outras substâncias naturais consideradas afrodisíacas. O receio de ser atingido pela impotência levou o homem a experimentar desde amendoim e ovo de codorna até pólen de flores e ingredientes inusitados como chifre de rinoceronte ralado. Felizmente, hoje em dia ninguém precisa correr atrás de rinoceronte para resolver esse problema tão incômodo. Desde que o primeiro remédio de aplicação oral contra disfunção erétil foi lançado, uma revolução tomou conta dos consultórios médicos, oferecendo uma solução prática e segura.
Porém, enquanto laboratórios tentam desenvolver um medicamento semelhante para as mulheres, que atue na libido feminina, muitos homens vêm utilizando os remédios contra a disfunção erétil misturados com outras drogas, como ecstasy, cocaína, LSD e álcool para garantir uma performance sexual que imaginam ser imbatível, plano que pode acabar em frustração na cama e danos muito mais sérios para a saúde.
Receitas como essas são poderosas, para o bem ou para o mal. Multiplicam o prazer mas podem causar depressão, problemas cardíacos e, ironicamente, impotência.
Fases
•1- Desejo É a vontade de fazer sexo. É uma fase totalmente cerebral. •2- Excitação
Nos homens, essa fase se traduz na ereção peniana. Nas mulheres, significa a lubrificação vaginal e a tumescência do clitóris. É nessa etapa que os medicamentos contra disfunção erétil atuam.
•3- Orgasmo
É o ápice do prazer na relação sexual, tanto para os homens quanto para as mulheres. Geralmente coincide com a ejaculação masculina, mas são dois eventos distintos.
•4- Resolução
Etapa de repouso, de relaxamento do corpo, e acontece de maneira semelhante em ambos os sexos.

Inversão de valores
Com a repressão sexual, as pesquisas sobre a sexualidade feminina acabaram ficando atrasadas. "Exceto em relação à pílula anticoncepcional, já que o papel de prevenção da gravidez sempre foi atribuído a elas, enquanto ao homem coube cuidar da potência sexual", pondera o urologista Celso Gromatzky. Hoje se percorre o caminho inverso, com pesquisas de anticoncepcionais para homens e a tentativa de desenvolvimento de um "Viagra feminino".

Se essa pílula do prazer ainda não existe, há pelo menos uma grande expectativa em relação ao Intrinsa, adesivo de testosterona que já foi testado em pacientes que tiveram seus ovários removidos e apresentou aumento na freqüência sexual satisfatória e no desejo. O próximo passo, já em andamento, é realizar o experimento com mulheres que não passaram pelo procedimento cirúrgico. A previsão é de que esse produto comece a ser comercializado já no ano que vem, sendo recomendado principalmente para mulheres que já entraram na menopausa.

Testes com os medicamentos masculinos em mulheres também já foram realizados, e apesar dos resultados positivos, ainda não são tão eficientes para serem aplicados efetivamente.

Os estudos com o Viagra em pacientes do sexo feminino, por exemplo, foram suspensos em fevereiro desse ano por não chegarem a resultados concretos. A pesquisa concluiu que as disfunções sexuais femininas, que englobam uma série de fatores, são uma conjunção de sintomas difíceis de serem identificados e mensurados. O que já foi verificado é que, como o medicamento aumenta a quantidade de sangue circulando nas regiões genitais, intensifica o fluxo sanguíneo vaginal e clitoriano, melhorando a lubrificação.

Como funcionam os remédios para disfunção erétil
1-Quando o homem é estimulado sexualmente, o cérebro libera óxido nítrico, produzindo a proteína GMP cíclico 2-O GMP relaxa os músculos dos corpos cavernosos e aumenta o fluxo de sangue nas artérias do pênis
3- O pênis fica totalmente ereto quando os vasos crescem até bloquear as veias por onde o sangue sairia
4- O GMP cíclico é inibido pela enzima fosfodiesterase
5- Os remédios (sildenafila, tadalafil e vardenafil) bloqueiam a ação da enzima, deixando o GMP agir livremente
6- Se não houver estímulo sexual no cérebro, o remédio pode não ser suficiente para manter a ereção

Novos caminhos
Essas descobertas ainda são muito vagas, mas outras soluções vêm sendo estudadas. Entre elas, a aplicação da bupropiona, substância utilizada em antidepressivos e que aumenta a libido, a ocitocina, enzima liberada quando o útero contrai-se e que deixa a mulher mais receptiva ao contato físico, e o peptídio intestinal, que provoca lubrificação e relaxamento.

Nesse contexto, como ficam a catuaba, o guaraná, o amendoim, o ovo de codorna, o ginseng e a ostra, que segundo a sabedoria popular aumentam a potência e o desejo sexual? Só quem já experimentou pode dizer se essa crença é folclore ou se esses elementos realmente ajudam, já que pesquisas nesse campo não são conclusivas. O que se sabe é que, por serem energéticos, aumentam a disposição e o bem-estar geral. Em todo o caso, se eles não tiverem nenhuma influência no sexo, pelo menos podem injetar um ânimo extra no organismo.




Você sabe o que é trimix? Mistura de Viagra com ecstasy (MDMA, derivado de anfetamina) e LSD (ácido lisérgico), triturados e condensados em uma cápsula que pode custar até R$ 100, é uma receita bombástica para aumentar a euforia e o prazer sexual. Sensações positivas, que podem porém ser ameaçadas pelo risco do usuário sofrer de depressão, danos cardíacos e até impotência.
Conhecida como a droga do amor, o ecstasy tem como efeito principal aumentar a sensibilidade e, segundo muitos usuários, o desejo sexual. "Porém, quanto mais freqüentemente a pessoa toma a droga menos sentirá seus efeitos, e é aí que entra o Viagra", conta o psicólogo Murilo Battisti, autor de um estudo sobre o uso do ecstasy em São Paulo.
Disfunções sexuais
MASCULINAS
•Libido diminuída (falta de desejo)
•Disfunção erétil (dificuldade em ter ou manter uma ereção)
•Ejaculação precoce
•Ejaculação retardada
•Ejaculação retrógrada (orgasmo sem liberação de esperma)
•Anorgasmia (não consegue atingir o orgasmo) FEMININAS
•Libido diminuída (falta de desejo)
•Distúrbios de excitação (dificuldade de lubrificação vaginal)
•Dispareunia (dor durante a penetração)
•Dificuldade orgásmica
•Anorgasmia (não consegue atingir o orgasmo)
Potência máxima
Além disso, o E, como o ecstasy é conhecido, tem efeitos imprevisíveis em relação ao sexo. Via de regra, a droga torna as pessoas ao redor mais sensuais e interessantes aos olhos do usuário. Mas no momento da relação sexual não existe consenso, a substância tanto pode melhorar o sexo, alterando o tato e a excitação, quanto pode piorar, causando uma impotência temporária. O Viagra, nesse contexto, serve como uma garantia de uma boa performance. A mistura pode resultar no efeito sexual desejado, mas sobrecarrega demais o coração, podendo até causar uma parada cardíaca. Há ainda a popularização da mistura de Viagra com álcool. Como ambos dilatam os vasos sanguíneos, o coquetel aumenta ainda mais a capacidade de ereção do homem, mas pode causar queda de pressão e dores de cabeça. É justamente por isso que os médicos recomendam consumo moderado de bebidas alcoólicas para pacientes usuários de remédios que combatem disfunção erétil.
Spa do sexo
O laboratório Lilly, em parceria com o Instituto de Psiquiatria da USP, lançou em agosto o Spa.Sex, um espaço para tirar dúvidas e orientar sobre saúde sexual. O local oferece informações gratuitamente por meio de palestras, atendimentos individuais, pesquisas e exposições. A equipe é formada por psicólogos e médicos especializados.

Telefone e site para contato: 0800-7010136, www.spasex.com.br.
Outra droga ligada ao sexo é o poppers, comercializado ilegalmente em forma de líquido e com efeito semelhante ao do lança-perfume. Sua substância ativa é o nitrito de amilo, um vaso dilatador, analgésico e relaxante muscular (especialmente do músculo liso). Isso facilita relações sexuais, principalmente anais, por isso o poppers vem sendo associado ao público gay. "Ele potencializa o prazer e suprime a dor, facilitando a penetração. Para os homossexuais é a melhor droga para o sexo", afirma um usuário regular.
Perfil dos usuários de ecstasy
• 93% o utilizam com outras drogas psicoativas, como maconha, cocaína, LSD e anfetamina

• 61% consomem ecstasy uma vez por semana

• 79% o fazem em ambientes ligados ao lazer noturno
Fonte: Stella Pereira de Almeida e Maria Teresa Araújo Silva, do Instituto de Psicologia da USP
Cultura química
É recorrente entre quem toma o poppers o uso de outra droga, o special-k. Produzido a partir de medicamentos à base de quetamina, usados como anestésicos para cavalos, causa entorpecimento, alucinações, distorção do sentido de tempo e de identidade e falta de controle dos movimentos. O remédio, vendido em forma líquida, é secado e transformado em pó para ser aspirado.
Os poliusuários, ou seja, aquelas pessoas que ingerem mais de um tipo de droga ao mesmo tempo, fazem isso por motivos óbvios, na opinião de Battisti. "Uma atenua o efeito da outra, ou o potencializa. Por isso uma pessoa pode tomar um ecstasy, que a deixa agitada, e depois fumar maconha, para desacelerar", exemplifica. Para o psicólogo, isso é conseqüência de nossa cultura química, na qual tentamos resolver todos os problemas com remédios. "É um reflexo de um mundo acelerado, regido pela velocidade. A tecnologia, na forma do agente químico, possibilita o alcance de uma resposta rápida", conclui Battisti.
Essa resposta é simples de conseguir, resta saber se vale a pena correr os riscos.

Efeitos e complicações
Poppers
Efeitos: relaxamento muscular, euforia, aumento do prazer sexual, tontura, vertigem, palidez, alucinações e calor intenso.
Complicações: vômitos, desmaios, dor de cabeça forte, fraqueza, irritação das vias respiratórias e queimaduras (caso entre em contato com a pele).



Cocaína
Efeitos: agitação, inibição do cansaço, sono e fome, dificuldade de ereção, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da temperatura do corpo e tremores.
Complicações: insônia, apatia, ansiedade, alucinações, convulsões, irritabilidade, agressividade e comportamento impulsivo.
Ecstasy
Efeitos: alterações na percepção da realidade, euforia, bem-estar, desejo de se comunicar, diminuição do apetite, taquicardia, hipertermia (aumento da temperatura do corpo).
Complicações: hipertermia fulminante, problemas hepáticos, síndrome do pânico, depressão e degeneração de neurônios.
Special-K
Efeitos:
entorpecimento, euforia, alucinações, dificuldade em controlar movimentos, amnésia e distorção do sentido de tempo e identidade.
Complicações: vômitos, náusea, diarréia, queda de temperatura, problemas respiratórios e da função motora, depressão e paranóia.






 

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